terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Veneno Cura

Hoje fui ao cinema sozinho, voltei a fazer algo que de certa forma já não me faz confusão, uma pessoa habitua-se, fui ver o filme "Veneno Cura". Um filme inquietante que mostra o efeito que este veneno tem nas pessoas e a sua luta entre o que sonharam ser e o que a vida fez delas (tal e qual como descreveu uma das personagens").

Consegui sentir uma grande reciprocidade na tormenta que aflige as personagens deste filme. Já experimentei e, invariavelmente, vou experimentando as vicissitudes que presenciei hoje naquele ecrã, numa sala vazia, vazia como vazio está o meu peito, cheia como cheia está a minha cabeça, esgotada como esgotada está a minha paciência, grande como grande é a minha mágoa, claustrofóbica como claustrofóbica é a minha vida.

Há anos que algo cresce em mim, ou, por outro lado, há anos que algo morre em mim. Quando li a sinopse deste filme algo me disse que o devia ver, fui e o título do filme é um excelente resumo daquilo que me acontece. Esta antítese "Veneno" vs "Cura" é, sem dúvida, a forma mais exemplificativa de mostrar a acção completamente antagónica que isto - este veneno, esta cura - provoca, e o que é isto?Chama-se AMOR!!!

É algo que abunda em mim, algo que espera insaciavelmente por um recipiente próprio, algo que me consome como um veneno por se acumular desta forma. A cada recipiente que não assimila a sua capacidade de cura, ele volta mais venenoso que nunca pronto para causar ainda mais destruição.

Este poema surge inspirado no filme, surge inspirado na minha vida, surge inspirado em muita coisa, infelizmente poucas, muito poucas positivas, mas ao mesmo tempo encho-me de orgulho por não desistir, por ter um espírito forte e capaz de superar qualquer tempestade que se atravesse no caminho, pronto a ser curado, com medo de ser envenenado de novo, mas sem olhar a medos persigo uma cura que seja a minha e seja a de alguém. O que é realmente bom vale a pena a espera, o que é realmente bom vale a pena que nos envenene para que sejamos curados.

Veneno cura!
Veneno mata!
Coloca-nos numa gruta escura,
Coloca-nos na escuridão da mata,
Na escuridão nos maltrata!
Coloca-nos a voar a grande altura,
Coloca-nos à beira da loucura,
Na loucura perdemos postura!
Amor cura!
Amor mata!
Nele sempre acreditei,
Em mim parece não acreditar,
Por um lado não desistirei,
Por outro, conseguirei aguentar?
O coração, com este veneno, necrosado
Que cura o dá como recuperado?
Amor veneno
Veneno amor
Coração envenenado
Curado coração
De felicidade pleno
Morto na sua dor
Com paixão ressuscitado
Um amor, uma ilusão

2 comentários:

Anónimo disse...

Ao ler este teu post, senti-me melancólica. Há tanto em ti para dar... quem receber essa imensidão será alguém de sorte. Conheço-te há tempo suficiente para perceber isso... Um beijinho grande. :)

Fábio Correia disse...

:)

Apesar de o reconhecimento que almejo ser de outro tipo, e não me leves a mal por dizer isso, you know what I mean, é sempre bom saber que há quem reconheça isso em nós!!

Obrigado!

Um Beijo!*