
São 4 da matina
E estou com grande espertina
De repente apetece-me algo
E com estas letras na noite cavalgo
Apetece-me escrever
Não sei bem a que respeito
Simplesmente ideias escorrer
Ideias com que o mundo espreito
O desafio da escrita
Em rima é grande
A música que nos ouvidos debita
Ajuda a que não abrande
Está um calor esquisito
Daqui a umas horas
Pior ainda, não acredito
Não haverá melhoras
Um balde de água fria
Era o que eu queria
Tal como o banho frio
Depois de chegar de beira-rio
A noite é companheira
Solitária e conselheira
As estrelas e a lua alumiam
Enquanto alguns gatos miam
Os pensamentos vão e vêm
Velocidade vertiginosa
Muita pressa têm
Mas não escapam à conscienciosa
E a música anima
E ajuda à rima
Já canto
Vizinhos perdoem o desencanto
Sentado nesta cadeira
O ritmo a desafiar
Não dá, maluqueira
Sentado e a dançar
Hoje muitos Kms fiz
Em cima da bicicleta
Mas tenho a energia repleta
De onde vem esta força motriz?
Tenho uma teoria
Se a pensasse há uns dias
Até me ria
Tu, não acreditarias
Sinto-me livre, cada vez mais
E quanto mais sinto
Mais de mim se descontrai
O aperto daquele cinto
Bem diziam eles
"Estás preso!"
Sem aquele peso
Acredito, agora, neles
Não há vida com mais qualidade
Como esta com toda a liberdade
Que já tenho mais que idade
Para a manter com longevidade
Enfim, sou teimoso
Sou esperançoso
Mas isso nem sempre é bom
Pode-se perder o tom
Venha de lá outra
Que esta já era
Estou noutra
Venha outra era
32 minutos a escrever
Ena, muita coisa para derreter
Já chega, há que guardar a inspiração
Para escrever o livro que adorarão
Pelo menos assim espero
Na minha cabeça já está escrito
Não será autêntico zero
Porque terá um significado descrito
Última estrofe
Último escrito submerso
Acabou-se o rega-bofe
Último verso
PS: Poema original